quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

Pesquisa lista as 10 profissões em alta para 2014

A Michael Page, empresa especializada em recrutamento de executivos para média e alta gerência, realizou em dezembro um estudo para conhecer as profissões que estarão em alta no Brasil em 2014 e constatou que a maior demanda está nas profissões ligadas ao marketing e infraestrutura. A pesquisa foi realizada nos escritórios da empresa nos municípios de São Paulo, Campinas, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Curitiba, Porto Alegre e Recife.

Segundo Paulo Pontes, presidente da Michael Page no Brasil, a maior demanda se dá "no marketing, especialmente, pelo aumento de demanda no comércio varejista digital - e-commerce - , bem como o crescimento de segmentos relacionados à prestação de serviços, a qualidade do relacionamento com o cliente no ambiente digital. Além disso, a competição vem aumentando e posicionar bem as marcas para um grupo de mais de 40 milhões novos consumidores no país que migraram à classe média é o foco", diz, Pontes.

"Já nas obras de infraestrutura, a demanda acelerada por adequação da infraestrutura brasileira, fruto dos grandes eventos globais, aliado à necessidade de melhoria significativa na nossa condição logística para recuperar a competitividade no mercado internacional com relação aos produtos fabricado no país", finaliza.

Veja abaixo as profissões e os motivos delas estarem aquecidas:
Marketing Digital - Não há mais dúvidas que o digital é uma realidade dentro do mercado e que as empresas estão cada vez mais vendo a importância de possuir um foco nisto. Devido à conectividade e a maior presença dos consumidores no ambiente online, é possível hoje mapear e focar a comunicação no seu público-alvo. Com isso, a tendência é fugir dos meios massificados, tendo além de um saving de budget, um posicionamento muito mais assertivo junto ao target.

Go to market ou Planejamento Comercial - 2013 foi um ano muito apertado para a indústria de bens de consumo e as projeções para 2014 são de um mercado muito mais competitivo e com uma margem de lucro cada vez menor para conseguir ganhar posicionamento, isso inevitavelmente desenvolve a necessidade de criarem cadeiras com foco mais estratégico nas ações das áreas comerciais e cadeiras com viés analítico que acompanham a implementação dessas estratégias diretamente no ponto de venda.

Marketing e Vendas - Gerente de Acesso Público / Privado - Mudança no perfil e tipo de fonte pagadora, cada vez mais governo, hospitais e operadoras embasam suas decisões em necessidades especificas e em nos conceitos de Healtheconomics, é fundamental que os fornecedores estejam preparados para entender e atender as demandas destes mercados.

Engenheiro de orçamento - Necessidade de maior controle sobre o retorno financeiro das obras (margens menores) e a uma expectativa de maior volume de obras de infraestrutura.

Geocientistas (geofísico, geólogos) - Expectativa da indústria de petróleo ter um melhor ano em 2014. Engenheiros de Segurança do Trabalho - Maior preocupação das empresas e sociedade sobre a saúde do trabalho e a uma expectativa de maior volume de obras de infraestrutura.

Atuário - Expectativa de crescimento devido ao bom momento do mercado de seguros e resseguros em 2013. Cientista de dados (formação em ciência da computação ou análise de sistemas) - Estará em alta devido às oportunidades do aumento da aplicação das tecnologias do big data, conceito fundamental no armazenamento de dados e maior velocidades dos sistemas.

Direito/Ciências Contábeis - Devido à complexidade fiscal brasileira que continuará demandando posições com essa formação. O perfil exige excelente base técnica fiscal e destaque para os que possuem boa visão de negócios.

Engenharia/Economia - Profissional comum em posições de modelagem financeira e viabilidade de novos negócios/projetos (mercado de infraestrutura deverá estar aquecido). Executivo com excelente visão analítica, base financeira e visão holística.

Fonte: http://www.revistamelhor.com.br/textos/0/mercado-302603-1.asp

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Palavras assassinas internalizadas: aprenda a administrar seu pensamento

Um dos aspectos extremamente relevantes da Administração é a chamada administração do pensamento. De acordo com o que observou Tim Gallwey, considerado um dos pais do coaching, e que começou sua carreira como treinador de tênis, todo tenista tem dois adversários: o adversário externo e o adversário interno. E sempre que alguém perde o jogo interno, não importa quão competente possa ser, também acaba perdendo o jogo externo.

Para que possamos compreender melhor como se forma o adversário interno, que todos nós temos por sinal, basta registrar que desde de crianças, para cada frase positiva, costumamos ouvir, pelo menos, dez frases negativas a nosso respeito, a respeito dos outros e do mundo. E estas frases negativas acabam sendo instaladas na nossa mente, como se fossem vírus num computador. São as chamadas "palavras assassinas internalizadas", e se constituem em programas, ordens e comandos para o nosso cérebro, que passa a funcionar de acordo com elas. E isto faz com que seja muito mais difícil tratar com as dificuldades, adversidades, desafios e oportunidades que encontramos, pois acabam influenciado expressivamente os nossos pensamentos, emoções e ações e, consequentemente, os resultados que conseguimos na vida.
E tudo começa pelo pensamento, ou como já dizia Buda, há mais de dois mil anos: "tudo o que somos é resultado do que pensamos". Portanto, se você quiser administrar sua vida, comece pela administração dos seus pensamentos. O fato é que os nossos pensamentos influenciam não somente os resultados que obtemos, mas também nossos batimentos cardíacos, pressão arterial, neurotransmissores e hormônios que são ativados e, como decorrência, o nosso sistema imunológico e saúde. Ou como já dizia um ditado popular: "quando a cabeça não pensa, o corpo padece". Assim sendo, a questão das palavras assassinas é de importância fundamental, e devemos ter consciência não só de suas consequências, mas também de como as internalizamos e de como tratar com elas.
Imagem: Thinkstock


Para começar, nada melhor do que apreender por contraste, ou seja, com o que os estímulos postivos podem fazer por uma pessoa. E o exemplo de Jack Welsh, considerado o executivo do século XX, pode ser muito elucidativo. Quando criança, Welsh era gago e sua mãe, ao invés de dizer coisas negativas a respeito de sua gagueira, ou deixá-lo ansioso, resignificou e disse que a gagueira era sinal de que ele era muito inteligente, pensava muito rápido e as palavras não podiam acompanhar o seu pensamento. Ou seja, ele não era gago, mas um pessoa muito inteligente, que pensava rápido. E este, e muitos outros estímulos e lições que recebeu de sua mãe, foram extremamente importantes na sua vida e carreira profissional, pois lhe deram grande confiaça, autoestima e paixão por vencer. É por isto que Welsh relata que a morte de sua mãe foi uma das dores mais profundas que sentiu em toda sua existência.
Já os estímulos negativos e frases assassinas, podem até gerar depressão e aquilo que é conhecido como desamparo adquirido, ou seja, a mais completa falta de esperança, e ainda o chamado temor antecipatório, isto é, medo do futuro.
Vejamos alguns exemplos de frases assassinas que foram ditas ao longo da história:
  • Em 1878, a Western Union rejeitou os direitos sobre a patente do telefone com a seguinte declaração: "Que uso a empresa poderia fazer desse brinquedo elétrico?"
  • Em 1899, Charles H. Duell, comissário do U.S. Office of Patents, num relatório para o presidente McKinley – argumentado que o Patents Office deveria ser abolido: "Tudo o que podia ser inventado já foi inventado."
  • "Quem, diabos, quer ouvir atores falando!", foi o que disse Harry Warner, presidente da Warner Brothers (1927).
  • Em 1945, Vannevar Bush, um assessor presidencial, avisou: "A bomba atômica nunca vai explodir, e estou falando com um expert em explosivos".
  • "Os grupos com guitarras estão acabando". Decca Records, ao dispensar os Beatles (1962).
  • "Não existe razão para que qualquer indivíduo tenha um computador em casa". Fabricante de computadores (1977).
E isto é apenas uma pequena mostra de frases, cuja principal característica é a de condenar antes de compreender, ou seja, o julgamento precipitado. Mas não precisamos ir muito longe, pois todo dia, continuamos ouvindo muitas frases assassinas, tais como:
  • Desculpe, mas isso é uma droga
  • O último que apareceu com essa ideia não está mais aqui
  • Não se mexe em time que está ganhando
  • A gente nunca fez nada igual a isso
  • Não vai vender
  • Isto não é nenhuma novidade e só vai criar problemas
E com certeza, você pode acrescentar inúmeros outros exemplos. E como tratar esta questão extremamente relevante, que em última instância importa na administração dos nossos próprios pensamentos? Algumas coisas, entre elas as seguintes:

O que pessoas que foram grandes criadores e inventores fizeram para conviver e superar
Akio Morita, por exemplo, que foi o criador e presidente da Sony, depois de ter idealizado o "walkman", constatou que os técnicos da empresa não mostraram nenhum entusiasmo pela ideia e não queriam implementá-la, apelando para as desculpas números 4 e 5. Morita não gostou da dúvida e resolveu implementar a ideia assim mesmo, dizendo: "desisto da presidência se não vendermos 100 mil aparelhos até o final do ano". E o "walkman" acabou se tornando um grande sucesso mundial.

Ter consciência da existência das frases assassinas internalizadas
Assim, é útil recorrer a John Whitmore, um famoso coach: "Eu só posso controlar aquilo de que tenho consciência. Aquilo de que não tenho consciência me controla. A consciêcia me fortalece". Portanto, devemos ter consciência não só das frases assassinas que nos são ditas, mas também de como funiconam na nossa mente e de suas consequências.

Saber como tratar com o jogo interno
E para abordar com a questão, nada melhor do que a história de um velho índio, que ao descrever seus conflitos internos disse:
"Dentro de mim existem dois cachorros, um deles é cruel e mau. O outro é muito bom e dócil e eles estão sempre brigando". Quando então lhe perguntaram qual dos cachorros ganharia a briga, o sábio índio parou, refletiu e respondeu: "Aquele que eu alimentar".
Ou seja, nós temos diálogos internos que nos ajudam e nos levam para o sucesso, mas também aqueles que levam para a derrota e para o fracasso, e são os denominados sabotadores internos. Portanto, é essencial saber o que focar e não alimentar os diálogos internos negativos. Mas isto não significa negar a realidade. Assim, se houver formigas no seu jardim, de nada adianta ficar repetindo frases do tipo "pensamento positivo", tais como: "meu jardim é lindo, meu jardim é lindo", pois o máximo que você vai obter será um lindo formigueiro.

Saber entrar em estados mentais e emocionais ricos de recursos
Existem algumas técnicas, mas uma delas é conhecida por resignificação. É o exemplo da história de três operários que estavam fazendo uma mesma obra e quando lhes perguntaram o que estava fazendo, responderam respectivamente: estou assentando pedras; estou fazendo uma escada; estou construindo uma catedral. Assim sendo encontrar significados positivos para as coisas da vida é fundamental e, acima de tudo, funciona. E foi o que a mãe de Jack Welsh fez. Ele não era gago, mas uma pessoa muito inteligente e que pensava muito rápido.

A prática da meditação pode ajudar
Eu particularmente, aprecio a "atenção plena", conforme a proposta do médico americano Jon Kabat-Zinn, professor da Universidade de Massachusetts.

A oração da sabedoria
"Dai-me força, coragem e competência para mudar o que pode ser mudado. Paciência para aceitar o que não pode ser mudado. E sabedoria para distinguir uma coisa da outra".
Assim sendo, sabedoria, lucidez e discernimento são fundamentais. Sem elas, o resto é o resto. Afinal, e em última instância, tudo o que somos na vida são consequências de nossas decisões e escolhas. Mas é sempre bom ter presente que a verdadeira decisão importa em ação e é ai que também entram as palavras assassinas que fazem as pessoas procrastinarem. Portanto, é preciso sair do círculo vicioso para entrar no círculo virtuoso e isto só se faz com a administração dos próprios pensamentos.

Fonte: http://www.administradores.com.br/informe-se/artigos/palavras-assassinas-internalizadas-aprenda-a-administrar-seu-pensamento/66320/

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Talento para dialogar e liderar

Por O POVO online

Empresário conceituado na área de gestão e liderança, Wagner Furtado Veloso dá lições simples de como ser um bom líder. Cuidar das pessoas e se preocupar com elas é o primeiro passo para quem quer buscar resultados.

Com experiência de sobra em cargos de chefia e liderança, Wagner Furtado Veloso preside a Fundação Dom Cabral (FDC), considerada a oitava maior escola de negócios do mundo, segundo ranking da Financial Times. A FDC também é conhecida como a melhor escola de negócios da América Latina, segundo o ranking da America Economia.

A empresa tem uma meta ambiciosa de dobrar seu tamanho em cinco anos, crescendo 20% ao ano. “Essa meta é possível a menos que possamos sentir que a qualidade possa ser prejudicada”.

Wagner Veloso tem 63 anos e trabalha na FDC há 10 anos. Até recentemente, ocupava o cargo de Diretor Administrativo. Também tem experiência em empresas estatais e privadas.

Segundo ele, o relacionamento profissional é o fator mais importante para liderar. “A principal característica de um bom líder é saber lidar com gente. Se você sabe lidar com gente, tudo fica fácil para liderar”, disse.

Essa habilidade é aprendida não apenas na escola, mas na vida. “Eu acho que a escola vem complementar com algumas coisas específicas, mas é no dia a dia que a gente vai aprendendo a lidar com gente e vai tendo as habilidades”, destacou.

Um entusiasta da educação, Wagner diz que não apenas o líder, mas qualquer profissional precisa estar constantemente aprendendo e se capacitando.

O Ceará, segundo ele, vai precisar investir em gestão e liderança para se desenvolver e receber grandes empreendimentos como a Siderúrgica do Pecém. O Estado tem um perfil empreendedor e conta em sua maioria com empresas familiares.

As possibilidades de crescimento são amplas, segundo ele. “Em termos de preparação de pessoas, todo o País cresce. Aqui no Ceará teremos uma siderúrgica. Vai demandar desenvolvimento de pessoas”, destacou.

O POVO – Queria que o senhor falasse sobre a questão da capacitação de profissionais hoje. O que falta no mercado? O que o mercado está demandando hoje?
Wagner Furtado Veloso – O mercado demanda tudo. Educação é fundamental para o desenvolvimento da família, do País, da cidadania. Então, o que é que falta? Eu acho que sempre vai estar faltando a gente se capacitar e se preparar melhor como cidadão. O aprendizado não para. Desde criança ou desde que a gente nasce está sempre aprendendo e vai morrer aprendendo. Eu acho que um grande valor da vida é você estar constantemente se preparando como pessoa para poder contribuir para uma sociedade melhor, para você mesmo, para a vida. Educação não para. Seja educação, como no nosso caso, de preparação de gestores, preparação de líderes, preparação de como lidar com gente. Acho que isso é importante para nós mesmos. É importante para a gente aprender a conviver.

 OP – E qualquer pessoa pode se tornar um líder? Quais as características de um bom líder?

Wagner – A principal característica de um bom líder é saber lidar com gente. Se você sabe lidar com gente, tudo o mais fica fácil para liderar. Porque a gente vive com pessoas, a gente trabalha com pessoas. Então, o que é mais importante para mim em um líder é ter habilidade de lidar com gente, conviver com gente. Fica tudo mais fácil.

OP – E de que forma é possível desenvolver essa liderança? Porque não é possível aprender a “lidar com gente” apenas no MBA e na pós-graduação?
Wagner – A escola da vida, dentro de casa a gente aprende mais convivendo com os pais da gente, convivendo com irmãos, amigos, pessoas que são amigas e pessoas que não são tão amigas. É sempre convivendo com pessoas que a gente vai aprendendo a cada vez mais ter essa habilidade de lidar com gente. Eu acho que a escola vem complementar com algumas coisas específicas, mas é no dia a dia que a gente vai aprendendo a lidar com gente e vai tendo as habilidades. Alguns pedem algum tipo de apoio profissional, ter gente te ajudando, profissionais te ajudando, seja de forma individual, seja em grupo. Você vai se educando. Crescendo como pessoa você acaba crescendo também como profissional. As duas coisas são ligadas. Você não pode crescer como profissional sem crescer como pessoa. A vida que vai nos preparando.

OP – Qual a diferença entre o líder e o chefe? Existe essa diferença?

Wagner – Eu não gostaria que existisse. Eu tive muitas oportunidades de ser chefe e para chefiar e acho que a gente tem que liderar. Engraçado é que as pessoas dizem que o chefe é aquele que pede algo e ao mesmo tempo procura o resultado. Mas se você procurar pura e simplesmente resultados financeiros, resultados em um determinado ponto de vista só, você não está realizando o todo, não está se realizando. O resultado financeiro muitas vezes não é tão difícil conseguir, mas você buscar resultado, por exemplo, financeiros com a satisfação e alegria das pessoas, isso identifica o que na minha opinião deveria ser um chefe.

OP – Só consegue ser um bom líder se também se sentir realizado no que faz?
Wagner – Eu acredito que sim e comigo tem sido desta forma. Se eu não tiver satisfeito comigo, certamente não vou poder estar alegre em relação ao que os outros estão fazendo.

OP – E essa questão de liderar, conversar e saber se comunicar com as pessoas. É possível garantir que isso dá resultado também? Para as empresas que ainda têm medo de conversar com o funcionário?

Wagner – Já que eu estou falando da minha vida, acho que eu fui desenvolvendo essa habilidade observando pessoas. Eu era uma pessoa muito calada, ainda sou muito calado. Eu gosto mais de escutar do que ficar falando e nessa de escutar a gente aprende também a falar. Aprendendo com o outro, a gente acaba passando esse aprendizado para um leque maior de pessoas também.

OP – Que é integrar a equipe?
Wagner – É fazer com que a equipe seja totalmente sintonizada com aquilo que vem sendo buscado por ela dentro da missão dela, dentro dos valores que ela acredita. Tem um amigo meu que disse: o que a gente deveria estar fazendo aqui para desenvolver uma empresa? Uma coisa que eu tenho feito, tenho exercido muito desde que eu passei a ser presidente da Fundação agora em abril. Foi o que ele falava: vamos conversar? A gente está sempre conversando uns com os outros, um ensinando para o outro, um aprendendo com o outro. É uma coisa simples você conversar uns com os outros, mas o tanto de aprendizado que isso nos traz, o tanto que a gente consegue depois devolver para o próprio local onde a gente está.

OP – Em uma entrevista, o senhor disse que a solução da empresa está dentro dela mesma. Que tipo de pesquisa é necessário fazer para encontrar essas soluções dentro da empresa?

Wagner – As empresas muitas vezes não param para conversar com elas mesmas. Quando a gente diz que a solução está dentro da empresa é como quando a gente procura um analista. A solução está dentro de nós mesmos. A gente vai e tem essa experiência com o analista para se encontrar. E se encontrando, a gente mesmo desenvolve a solução para nós.

OP – A universidade prepara o profissional, mas ele ainda precisa ir para as empresas para realmente para saber quais são as necessidades delas e de que forma ele pode contribuir? O senhor acha que de uma certa forma a formação básica e das pós-graduações é mal desenvolvida, pequena em relação ao que as empresas demandam hoje?
Wagner – Eu acho que a universidade cumpre seu papel bem demais. A universidade no mundo inteiro cumpre seu papel. Eu acho que cada um tem que encontrar sua forma de cumprir esse papel. Nós achamos que a forma que nós escolhemos para cumprir esse papel é através da formação dos executivos, é capacitação de lideranças. A melhor forma de fazer é complementando o conhecimento acadêmico com o conhecimento prático e esse conhecimento prático só encontra nas empresas, nas organizações, na gestão pública. A gente encontra convivendo com quem está fazendo.

OP – Há alguns teóricos que dizem que a empresa familiar pode não ser tão profissional quanto as demais empresas. O senhor acredita que é possível ter o mesmo grau de profissionalismo das outras?
Wagner – Eu diria o seguinte. Como a maioria das empresas do mundo são familiares, se a gente falar que as empresas familiares não são profissionais, estamos fechando as empresas todas do mundo. Eu diria que as empresas familiares ficam se perguntando e achando que precisam se profissionalizar. Mas o que é se profissionalizar? Muitas vezes dentro da própria família há as melhores pessoas para fazer a gestão da empresa. E às vezes por conta de ajustes dentro da própria empresa, às vezes um irmão ou uma irmã ou alguém de fora às vezes não aceita aquela liderança que seria a melhor para a empresa, a natural. Às vezes a pessoa sai da empresa para comandar um outro grupo de outra empresa familiar quando de repente ele poderia fazer. Então, se determinados conflitos fossem resolvidos dentro da própria empresa familiar, eles poderiam ter o profissional que se fala dentro da própria empresa.

OP – O que as empresas familiares mais demandam hoje?

Wagner – As demandas que elas fazem são as mesmas das grandes empresas. Não existe nenhuma grande empresa que demande coisas diferentes em relação à pequena empresa. Talvez uma demanda maior que a grande poderia ter é a alegria de gerar resultados e gerar resultados de uma forma feliz. Eu acho que na pequena empresa é mais fácil fazer isso, quando a empresa é menor. Muitas vezes o dono da empresa diz: eu gostaria que a minha empresa fosse aquela de quando ela nasceu, que a gente tivesse a felicidade e a alegria de vir para cá para trabalhar com resultados, mas sem perder a ternura. Eu acho que a grande empresa gostaria de fazer isso.

OP – O senhor já está com mais de 10 anos na Fundação, não é?
Wagner – Este ano vai para 11 anos. Foi em 2002 que eu fui para lá.

OP – O que o senhor tem aprendido como profissional ao longo desse tempo? É possível se reinventar como profissional na mesma empresa?

Wagner – Eu comecei a trabalhar na Fundação João Pinheiro lá em Minas Gerais ligada ao governo. Fazia desenvolvimento de executivos, planejamento de estado, alguns trabalhos específicos para o Estado e fiquei lá cinco anos. Depois, convivi em uma empresa estatal federal de siderurgia durante 13 anos. Quando atingi a posição de diretor, eu tive a oportunidade de sair para uma empresa privada. Eu saí, pedi demissão desse cargo. Fui trabalhar para me conhecer um pouco mais, para ver se eu consigo conviver bem, ser um bom gestor fora de uma estatal, sem a proteção do Governo. Isso me deu a oportunidade de crescer como pessoa. Eu passei cinco anos em uma empresa grande. Construção e siderurgia também. Alguns valores meus eu queria testar em outro lugar.

OP – Em que ano que o senhor saiu?
Wagner – Eu saí em 1989. Fiquei de 1976 a 1989. De 1989 a 1994 eu trabalhei como diretor financeiro do grupo Mendes Júnior. Depois passei dois anos aqui no Nordeste, em Fortaleza. Tive um convite para vir para cá. Foi uma outra experiência de vida que eu queria ter.

OP – O senhor pensa em permanecer pelo menos este ano à frente da Fundação?

Wagner – Não tem prazo para ficar lá não. Antes de completar 66 anos, eu espero que eu já esteja fora da presidência e ao mesmo tempo dentro da Fundação, retornando para ela.

OP – Pensei que o senhor fosse dizer que iria voltar para Fortaleza.
Wagner – Não, não. Quem sabe, né? O mundo dá tantas voltas... Quem sabe. A Fundação permite isso hoje. Ela nos permite trabalhar no Brasil e no mundo inteiro. Já temos representantes nos Estados Unidos, no Canadá, na Europa. E quem sabe uma opção minha seja retornar para Fortaleza, mas isso seria alegria total.

http://www.opovo.com.br/app/opovo/paginasazuis/2012/09/24/noticiasjornalpaginasazuis,2925477/talento-para-dialogar-e-liderar.shtml

segunda-feira, 30 de julho de 2012

domingo, 17 de junho de 2012

RH e a Rio+20

Por Rosana Freire
Texto divulgado no JC, na seção gestão de pessoas, rh positivo, em 17/06/2012

A Rio+20, Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, retomará após 20 anos da Eco 92 a discussão de como podemos transformar o planeta em um lugar melhor para viver, inclusive para as futuras gerações.

O que tem o RH com isso? Tudo, pois o RH é a área dentro das organizações responsável em desenvolver pessoas e cidadãos e este momento se torna uma convocação e não um convite restrito aos líderes de governo que estarão presentes na Conferência, mas para a área de RH, protagonista na alavancagem de um ambiente melhor para trabalhar, uma oportunidade de promover essa discussão internamente, refletindo que qualidade de vida queremos. 

Como a empresa pode ser sustentável, considerando as três dimensões, econômica, social e ambiental, difundidas há 25 anos pela Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento das Nações Unidas em seu relatório “Nosso Futuro Comum”? Esse relatório chamou a atenção do mundo sobre a necessidade de se encontrar formas de desenvolvimento econômico, sem redução dos recursos naturais, sem danos ao meio ambiente e social.

A área de RH pode refletir como impulsionar o negócio, sem perder de vista o seu valoroso papel de humanizar as organizações, no sentido de proporcionar um ambiente adequado ao trabalho, salários justos, lideranças voltadas ao desenvolvimento, respeito à diversidade, relacionamento interpessoais saudáveis, assim como despertar nas pessoas o seu papel de cidadãos, não só respeitando os recursos da empresa, como também evitando o desperdício, consumindo conscientemente, recusando sacolas e copos plásticos, enfim, apoiando e cooperando com a capacidade inerente da natureza de manter a vida, como diz Capra.

Rosana Freire, Coordenadora de RH do CIEE-PE, Diretora de Educação da ABRH-PE e Mestranda em Gestão do Desenvolvimento Local Sustentável pela UPE.